Em países como EUA, Japão e na maior parte da Europa, os seguros de vida são um enorme sucesso, porem no Brasil ainda tem uma participação baixíssima.
A seguradora Swiss RE apresentou um estudo que aponta que nos EUA os seguros de vida em valores pagos são da ordem de cerca de 10% de seu PIB, enquanto no Brasil não ultrapassam 1,4%. Nos países citados, esse sucesso pode ser atribuído aos altos impostos sobre transmissão de heranças, fato que não ocorre com seguros de vida que tem como principal característica, não serem considerados como patrimônio pessoal, não entrando na categoria de herança, dessa forma são uma excelente ferramenta para transmissão de riqueza.
É baixo no Brasil o imposto sobre transmissão de heranças – equivale a 4% do patrimônio na maioria dos Estados.
Mesmo assim os seguros de vida ainda podem ser muito uteis. Podemos considerar dois tipos de pessoa a quem o seguro pode ser especialmente indicado.
O primeiro é o chefe de família jovem, com dependentes e que ainda não acumulou patrimônio suficiente para que eles tenham uma vida confortável caso venha a falecer. Por exemplo, imagine um brasileiro com 32 anos de idade, renda de R$ 15.000, mulher dona-de-casa, um filho de 4 anos e outro de 2 anos, que, até agora, conseguiu juntar um patrimônio de R$ 200.000. Caso esse chefe de família falte, o dinheiro acumulado rapidamente seria dilapidado e não seria suficiente para sustentar a família até que os filhos estejam prontos para ingressar no mercado de trabalho e pagar as próprias contas, certo?
Nesse caso, seria interessante que o pai contratasse, por exemplo, um seguro de vida com cobertura superior (de R$ 500.000 ou mais de acordo com a avaliação dos custos de vida) em caso de morte, porque esse dinheiro daria mais conforto à família até que ela conseguisse se reestruturar. Estudos apontam que uma família que perde o provedor, leva cerca de 3 a 5 anos até se reestruturar, incluindo mudanças de residência, escola dos filhos, bairro, hábitos de padrão de vida, etc.
Já o segundo perfil do seguro de vida são as pessoas que tem um patrimônio bastante alto, mas que está com esse dinheiro muito concentrado em participações de empresas, imóveis ou outros ativos sem liquidez. Mesmo que essa pessoas tenha milhões de reais e venha a falecer, a família vai precisar de recursos para viver enquanto se resolver questões jurídicas como inventario, participações societárias, venda de ativos e outras coisas que não são rápidas e também exigem capital para que sejam tratadas.
Algumas famílias buscam em planos de previdência privada como VGBL e PGBL, essa segurança, já que, assim como os seguros de vida, na maior parte dos Estados o dinheiro depositado em previdência também não entra em inventário e não está sujeito ao pagamento do ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis ou Doação), que tem alíquota de 4% em quase todo o Brasil.
Algumas questões importantes devem ser avaliadas na hora de escolher uma previdência ou seguro de vida:
- Para que alguém deixe R$ 1.000.000 com liquidez para a família, não há necessidade imobilizar R$ 1.000.000 como no PGBL e VGBL.
- O seguro oferece uma proteção alavancada, já que é possível contribuir com R$ 50.000 no primeiro ano, por exemplo, para já ter uma proteção de R$ 1.000.000 imediatamente após a contratação.
- À medida que o tempo passa, o produto de previdência vai se tornando gradualmente mais interessante porque o total de aportes do seguro de vida vai aumentando (a vantagem da alavancagem diminui) ao mesmo tempo em que a rentabilidade começa a beneficiar mais a previdência (trata-se de um investimento, e não um seguro).
Se você identificou que se enquadra em alguma dessas alternativas e o seguro pode ser útil, deve estar se perguntando: Qual seguradora oferece o melhor produto?
Eu particularmente não gosto dos produtos mais comercializados (sobretudo os oferecidos por bancos) principalmente pois você corre o risco de pagar por muitos anos e sua família não receber a indenização na hora que algum evento acontecer.
Isso porque a legislação brasileira permite que a seguradora não pague a indenização do seguro de vida se o risco do cliente tiver uma alteração importante e a empresa não for avisada, e as seguradoras em geral adoram estas clausulas de letras pequenas.
Uma pessoa que contratou um seguro de vida e tiver câncer precisa avisar a seguradora. Como a renovação dos seguros vendidos nos bancos costuma ser anual, a seguradora poderá elevar muito o valor a ser pago pelo cliente em troca da manutenção da cobertura na época da renovação ou até mesmo se recusar a renovar o contrato. Já se o cliente não avisar que tem câncer, morrer três anos depois por causa de outra doença e a seguradora descobrir que não foi avisada sobre o aumento do risco, poderá se recusar a pagar a indenização porque a omissão desse dado não lhe permitiu fazer o cálculo correto do risco e do valor que o cliente deveria pagar mensalmente.
Outro problema dos seguros vendidos nos bancos é o reajuste de acordo com a faixa etária, que chega a tornar seguros insustentáveis à medida que o cliente envelhece. Quando você chegar a 60 anos, seu seguro pode estar tão caro que você mesmo vai optar por cancelá-lo porque não terá mais condições de pagá-lo.
Por esses motivos, prefiro os seguros comercializados nos moldes internacionais como Prudential, Mongeral Aegon e Mapfre, que usam um sistema de cálculo e regras de avaliação do risco diferentes, o que considero uma larga vantagem.
A primeira delas é que o seguro pode ser vitalício ou por uma vigência determinada. A seguradora renuncia ao direito a cancelar a apólice antes do prazo contratado a não ser que o fluxo de pagamentos previsto não seja honrado pelo cliente, a seguradora não terá o direito de não renovar o contrato. O cliente pode, por exemplo, pagar por 10 ou 20 anos pela cobertura que seus beneficiários terão garantido o direito à indenização – não importa o tempo que demore para a pessoa falecer.
Alguns seguros dessas três empresas também não possuem reenquadramento etário. As parcelas e o valor das coberturas vão sendo corrigidos apenas de acordo com a inflação e não sobem à medida que o cliente envelhece.
Ainda existe a possibilidade de contratar planos resgatáveis (com clausula de sobrevivência). Se a pessoa tiver contratado uma cobertura com prazo previsto para 10 anos, poderá resgatar parte do dinheiro das contribuições.
Outra vantagem é que essas seguradoras fazem exames médicos antes de aprovar a contratação do seguro de vida. Então o interessado é submetido a exames de sangue e urina, pode ter de passar por outros procedimentos como um eletrocardiograma e fará uma entrevista sobre o histórico de doenças. Se a seguradora aprovar a concessão da apólice e receber a primeira mensalidade do seguro, não poderá mais contestar o pagamento da indenização no futuro a não ser que consiga provar que o cliente mentiu sobre alguma doença pré-existente. As apólices ainda podem prever coberturas por invalidez permanente, doenças graves ou incapacidade temporária de trabalho – é logico que quanto mais coberturas houver, maior será o pagamento anual a ser feito pelo cliente.
Mas quanto custa um seguro como esse?
Considero que o produto não é barato. O valor vai depender de sua idade, montante da indenização que sua família receberá, sexo, inflação medida pelo IPCA e periodicidade de seus aportes.
Costumo dizer que todos os seguros são caros, até que sejam necessários, mas certamente a avaliação adequada da sua realidade, pessoas que dependem de você e sua atual condição financeira, são primordiais para uma melhor escolha!
